Nunca imaginei, em toda minha vida, que tantas coisas pudessem acontecer em um espaço tão curto de tempo. Bizarro! Um início trágico e um final feliz. Para muitos pode parecer conto de fadas, mas para mim foi bem real (até porque de fada eu não tenho nada, talvez me assemelhe mais a um duende, mas isso é outra história).
Logo após o carnaval, eu e minha família tivemos que sair do apartamento que vivíamos faziam 7 anos. É impressionante o quanto o preço dos aluguéis aumentaram no Rio de Janeiro, um verdadeiro absurdo. Eu ainda era estagiário e ganhava como tal. Todo o processo de mudança foi trágico. Tivemos que nos desfazer de muitos pertences, já que morávamos em um apartamento enorme, com três quartos grandes, muitos armários e passamos para um “apezinho” de dois quartos e sem nenhum armário. Ainda bem que pudemos nos mudar pra lá. Se não fosse esse imóvel (de propriedade da minha avó), não teríamos para onde ir, já que a única renda da casa era meu salário de estagiário e alguns trocados que surgiam de vez em quando (minha mãe fazendo quentinhas e meu pai alguns freelas). Porém, no mesmo mês da tragédia, recebi uma das melhores notícias do ano: minha efetivação. Não era mais um estagiário! Assumi o cargo de assistente de comunicação e mais responsabilidades (e um aumento significativo, é claro). Vale lembrar que essa conquista (por mais que, modéstia à parte, tenha sido merecida, só foi possível graças a minha amiga e supervisora Maíra, que lutou por mim).
Em paralelo a isso, meu irmão mais novo lutava (essa luta ainda continua) contra um problema de saúde sério, porém sem riscos de morte (o que não torna essa luta mais branda). Não vou entrar em detalhes desse assunto porque não vem ao caso.
Uma vez efetivado achei que as coisas fossem melhorar um pouco, porém a mensalidade da faculdade sofreu mais um reajuste e passou a consumir quase metade do meu salário, me impedindo de dar uma força maior nas contas da minha família. Foi aí que o segundo anjo da guarda entrou em ação. Minha tia Miriam, mais conhecida como 'Mizinha' se ofereceu para pagar minha faculdade integralmente, já que era meu último semestre.
Bom, último semestre é sinônimo de ralação. Monografia bombando, contas bombando (meus pais e meu irmão continuam desempregados), trabalho bombando e eu ali, tendo que lidar com todas essas coisas ao mesmo tempo. Bom, como nunca fui de ficar parado chorando problemas, arregacei as mangas e parti para a briga. Apenhei muito! Mas, ao estilo Rock Balboa, me levantei da lona e parti pra dentro. Como diz a música: eu dei porrada a três por quatro e nem me despenteei. Tirei 9 na monografia e hoje posso me auto-intitular JORNALISTA (que merda, hein... hehehehe).
Bom, é isso. Quero agradecer a todos que me ajudaram a tornar meus sonhos possíveis apesar de todas as dificuldades. Vou deixar também três frases que marcaram meu ano:
Passarinho na gaiola não canta, mas um bom passarinho bate a poeira e levanta.
Capoeira que é bom não cai e se um dia ele cai, cai bem.
You may say I'm a deamer. But I'm not the only one.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Sugestão
Seguindo a mesma linha do meu post anterior, hoje vou dar mais uma sugestão de leitura "pós eleições". Inconformada com o comodismo que toma conta de grande parte das pessoas quando o assunto é buscar informações confiáveis para formar uma opinião, a minha amiga Maíra Palha escreveu um texto super legal e colocou à disposição de todos uma lista de links onde podem ser encontrados textos de qualidade, que mostram a visão de diversos tipos de comunicadores sobre os assuntos do nosso cotidiano.
Aproveitem e boa leitura!
http://misturacriativa.blogspot.com/2010/11/fontes-de-informacao-que-precisam-estar.html
Aproveitem e boa leitura!
http://misturacriativa.blogspot.com/2010/11/fontes-de-informacao-que-precisam-estar.html
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Muito apropriado para esse momento pós eleições
Música "Fique Sabendo" da banda Meia dúzia de 3 ou 4, que conheci no MOLA 2009.
Você não sabe o que aconteceu!
O quê?
Não sei
Nem eu
Então...
Fique sabendo
Sua dor de cabeça não passa de estresse
Por essa eleição
Viagra subindo, a bolsa caindo
E a Sasha sorrindo
Fique sabendo
Que as pregas do ébrio são de domínio da população
Se o cão passa a língua e o bêbado a míngua
A Sasha tá linda
Fique sabendo
Tem gente roubando
Trocando partido a troco de pão
Se um não tá contente
É ferro na gente
E a Sasha nem sente
Fique sabendo
Tem gente mentindo
Fingindo que a crise é só no Japão
Nos dão um pé da bota
E o outro na volta
E a Sasha nem vota
Hilário, hilário êêê
Ilari, ilari, ilariêêê
Fique sabendo
Que as pregas do ébrio são de domínio da população
No que estoura um prédio lá no Oriente Médio
E a Sasha num tédio
Hilário, Hillary (uuuuuuuuh!)
Ilari, Ilari, Ilariêéê...
Você não sabe o que aconteceu!
O quê?
Não sei
Nem eu
Então...
Fique sabendo
Sua dor de cabeça não passa de estresse
Por essa eleição
Viagra subindo, a bolsa caindo
E a Sasha sorrindo
Fique sabendo
Que as pregas do ébrio são de domínio da população
Se o cão passa a língua e o bêbado a míngua
A Sasha tá linda
Fique sabendo
Tem gente roubando
Trocando partido a troco de pão
Se um não tá contente
É ferro na gente
E a Sasha nem sente
Fique sabendo
Tem gente mentindo
Fingindo que a crise é só no Japão
Nos dão um pé da bota
E o outro na volta
E a Sasha nem vota
Hilário, hilário êêê
Ilari, ilari, ilariêêê
Fique sabendo
Que as pregas do ébrio são de domínio da população
No que estoura um prédio lá no Oriente Médio
E a Sasha num tédio
Hilário, Hillary (uuuuuuuuh!)
Ilari, Ilari, Ilariêéê...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Só não temos um planeta sustentável porque não queremos
Toda hora vejo grandes exemplos de soluções criativas de como gerar energia de forma sustentável. Os avanços tecnológicos, tão úteis para nossa vida custam muito caro para o meio ambiente, porém, com esse "boom" de responsabilidade ambiental que tomou conta da cabeça das pessoas (por quanto tempo isso vai durar, não sei) com as recentes discussões sobre o aquecimento global, os cientistas estão trabalhando duro para criar formas alternativas de bancar nosso custo energético.
Outro dia vi no blog Eco4Planet uma matéria falando de uma boate com sensores na pista que transformam a energia gereada pelo impacto dos pés das pessoas dançando em energia elétrica. Com essa solução, a casa consegue bancar 60% da energia que precisa para a boate funcionar.
Hoje, no mesmo blog, vi outro belo exemplo de como gerar energia de forma fácil e ecológicamente correta. Segue abaixo a matéria:
Cientistas coreanos descobriram uma forma de transformar as conversas de celulares em fontes de energia
Já imaginou se todas as incontáveis conversas de celulares se transformassem em fontes de energia? Cientistas coreanos imaginaram e, melhor que isso, conseguiram transformar o principal ingrediente da loção de Calamina (creme feito de carbonato de Zinco, comum para aliviar coceiras) em um pequeno material que converte as ondas sonoras em eletricidade.
A pesquisa conseguiu criar um painel que carrega o celular por meio das conversas ou pode prover energia através de ruídos gerados durante o horário de pico de ligações.
“Assim como alto-falantes transformam sinais elétricos em som, o processo inverso também é possível.”, explicam Young Jun Park e Sang-Woo Kim, autores de um artigo sobre o projeto, veiculado no jornal Advanced Materials.
Uma conversa no celular gera de 60 a 70 decibéis, o que resulta em 50 milivolts de correntes elétricas. A média para um celular funcionar é acima disso, mas os coreanos continuam o seu trabalho e esperam obter uma potência maior de energia. Segundo os cientistas, o que torna esta pesquisa importante é o fato de ela provar que esse conceito de fonte de energia é possível e pode dar resultados excelentes.
Via Olhar Digital
Outro dia vi no blog Eco4Planet uma matéria falando de uma boate com sensores na pista que transformam a energia gereada pelo impacto dos pés das pessoas dançando em energia elétrica. Com essa solução, a casa consegue bancar 60% da energia que precisa para a boate funcionar.
Hoje, no mesmo blog, vi outro belo exemplo de como gerar energia de forma fácil e ecológicamente correta. Segue abaixo a matéria:
Cientistas coreanos descobriram uma forma de transformar as conversas de celulares em fontes de energia
Já imaginou se todas as incontáveis conversas de celulares se transformassem em fontes de energia? Cientistas coreanos imaginaram e, melhor que isso, conseguiram transformar o principal ingrediente da loção de Calamina (creme feito de carbonato de Zinco, comum para aliviar coceiras) em um pequeno material que converte as ondas sonoras em eletricidade.
A pesquisa conseguiu criar um painel que carrega o celular por meio das conversas ou pode prover energia através de ruídos gerados durante o horário de pico de ligações.
“Assim como alto-falantes transformam sinais elétricos em som, o processo inverso também é possível.”, explicam Young Jun Park e Sang-Woo Kim, autores de um artigo sobre o projeto, veiculado no jornal Advanced Materials.
Uma conversa no celular gera de 60 a 70 decibéis, o que resulta em 50 milivolts de correntes elétricas. A média para um celular funcionar é acima disso, mas os coreanos continuam o seu trabalho e esperam obter uma potência maior de energia. Segundo os cientistas, o que torna esta pesquisa importante é o fato de ela provar que esse conceito de fonte de energia é possível e pode dar resultados excelentes.
Via Olhar Digital
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Promoção do abraço!
Estou testando uma ferramenta de promoções no Twitter. Então, resolvi fazer um sorteio entre as pessoas que retuitarem a mensagem deste post.
VALE UM ABRAÇO!!!
VALE UM ABRAÇO!!!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Uma homenagem ao meu querido e amado Botafogo
Apesar de gostar muito de escrever e expressar meus sentimentos por meio de palavras, não me sinto apto a prestar uma justa homenagem a tudo que o Botafogo de Futebol e Regatas representa para mim. Por isso, decidi postar um texto de recebi do glorioso camarada Lucio Amorim.
"O Botafogo é bem mais que um clube – é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus."(Armando Nogueira)
Texto de Mario Filho "O Clube da Capa-e-Espada" em "O Sapo de Arubinha - Os anos de sonho do futebol brasileiro" , Cia. das Letras 1994, pp. 74-77.
"O único clube rapaz é o Botafogo. Explica-se: foi o único clube que nasceu rapaz. Os outros, pelo menos, procuraram nascer homens. Já o Botafogo teve a preocupação de ser o oposto do Fluminense, que era o homem-feito. O Fluminense foi um clube que não nasceu assim , de um repente. Com o time formado, com tudo o que seria ele, demorou um ano. Surgiu depois de muito estudado, de muito pensado. O Botafogo, pelo contrário, só precisou de uma apresentação ao Fluminense para virar clube. É um detalhe que não deve ser esquecido por quem tentar compreender o Botafogo. Os rapazes que não pensavam em formar clube algum foram levados ao campo do Fluminense para serem do Fluminense. Diante do Fluminense, eles se sentiram, logo e logo, Botafogo.
Não se tratava só dos bigodes dos jogadores do Fluminense. O Fluminense também tinha bigodes. Havia, entre os rapazes do Colégio Abílio e o Fluminense, uma distância de idade. Essa idade não se contava apenas pelos anos do Fluminense, dois, ou dos jogadores do Fluminense, alguns ainda rapazes. Era a concepção da vida, vamos dizer. Os rapazes do Fluminense tratavam logo de se adaptar, de usar bigodes imaginários. Os rapazes do Botafogo queriam também ser homens, mas continuando rapazes. Daí se sentirem quase imberbes diante dos homens-feitos do Fluminense. A reação deles, forte, e renovada sempre pela rivalidade que foi a primeira do futebol carioca, tornou-os mais rapazes ainda, marcou-os eternamente rapazes.
Pouco importava que um Flávio Ramos, com dezessete anos e o primeiro Presidente do Botafogo, se sentisse rapaz demais para ser presidente do mesmo Botafogo. O homem-feito, procurado e encontrado, que foi ser Presidente do Botafogo, não mudou o que já era imutável. Ser do Botafogo era ser rapaz. A gente vê velhos Botafoguenses, curvados pelos anos, e até estranha um pouco. Serão ainda Botafoguenses? Mexam com o Botafogo e verão. Os velhos endireitam logo a espinha, estufam o peito, reacendem a chama do olhar e estão prontos. E não é difícil mexer com o Botafogo. Não há clube de mais sensibilidade à flor da pele, com mais orgulho de Grande de Espanha que o Botafogo. Eis porque ele está sempre disposto a topar paradas, a se meter em encrencas, a arriscar até a própria vida por uma coisinha.
Nada que o atinja e mesmo que não o atinja, mas que ele julgue que foi para atingi-lo, é coisinha para ele. Ele devia ter nascido em outra época. É a única flor retardatária de capa-e-espada que surgiu depois dos 1900. Trata-se mais de um gascão, de um D'Artagnan, sempre pronto a desembainhar a espada. Ouve muito mais a voz do coração do que a da cabeça. Qual era o clube capaz de largar uma Liga, sem outra Liga para ir, por causa da suspensão de um jogador? Aconteceu isso em 1911, justamente no ano em que o Fluminense preferiu perder um time a deixar de ser o que era, isto é, o Fluminense (NR: O autor se refere à cisão tricolor que resultou no início do futebol no Flamengo). O Botafogo fez o contrário, para continuar mais Botafogo do que nunca.
O que o Fluminense fez, só o Fluminense faria. Mas também só o Botafogo arriscaria tudo por um jogador. Não se tratava da falta que esse jogador poderia fazer ao time, embora ele se chamasse Abelardo De Lamare. E aí temos uma amostra do d'artagnanismo do Botafogo. Um por todos e todos por um. Abelardo De Lamare era um deles, era eles também, era o Botafogo. Eles não se separavam, não se distinguiam, fundindo-se no Botafogo. Assim o bofetão de Abelardo De Lamare em Gabriel de Carvalho (NR: Botafogo 1 x 1 América, em 25/06/1911, no antigo campo de Voluntários da Pátria) não foi o bofetão de um jogador noutro jogador. Foi o bofetão de um clube. Todos assumiram a mesma responsabilidade e se recusaram a aceitar a punição de um só. O Campeão de 1910 abandonou o campeonato e ficou um ano jogando na pedreira.
E aquele gesto, que seria de indisciplina, serviu para mostrar um dos mais belos traços do Botafogo. Saindo da Liga o Botafogo podia perder todos os jogadores. Era o time Campeão de 1910, justamente o que tinha realizado uma revolução no futebol carioca. Até 1910, os jogadores usavam bigodes. Mesmo os jogadores sem bigodes eram como se os tivessem. O Botafogo foi campeão com um time rapaz, com um time que tinha vindo do Botafogo mirim, o Carioca, viveiro do "Glorioso". E aí os outros clubes trataram de fazer o mesmo. O futebol que, para se dar ao respeito, tinha de nascer homem-feito, já podia dar-se ao luxo de ser jovem, de ser rapaz. E esta foi uma obra do Botafogo.
Qual era o clube que não quereria os jogadores do Botafogo? O Botafogo, porém, não perdeu um jogador. Todos ficaram juntos jogando na pedreira, que era um campo do Morro da Viúva. Era o que se chamava de um campeonato de Liga barbante. Os jornais não tomavam conhecimento dele. Assim, os jogos se realizavam, por assim dizer, anonimamente. E lá estavam os craques Campeões de 1910, o Glorioso em carne e osso, jogando com os clubes da pedreira como se esse fossem Fluminenses. Com o mesmo entusiasmo, com a dedicação, com o mesmo Botafoguismo, palavra que significa o mesmo que quixotismo. Eram uns Dom-Quixotes os jogadores do Botafogo.
Ou eram simplesmente rapazes. Continuavam a ser rapazes, levados pelos impulsos generosos da mocidade. Cometiam erros: no erro e no acerto tinham o mesmo élan. Podiam reconhecer o erro, mas não voltavam atrás. Era o tal orgulho de Grande de Espanha, idêntico na riqueza e na pobreza. Como saíra sozinho de uma Liga, mais tarde seria o único a ficar com uma Liga em nome de um amadorismo que não existia. Por isso muita gente não entendeu o Botafogo. É que se queria julgar o Botafogo pelos padrões normais. Como se ele fosse um clube igual aos outros. Então o Botafogo não via que estava arriscando a própria vida?
O que decidiria qualquer outro clube a mudar de rumo tornou ainda mais irredutível o Botafogo. Para ele, era uma questão de honra e ninguém o podia demover. Ficou com trezentos sócios, e cada sócio que saía unia mais o Botafogo. É que ficavam e ficariam os verdadeiros Botafogo, os Botafogos para a vida e para a morte. Aí mesmo é que não acabavam com o Botafogo, com aquela legião de rapazes de todas as idades, alguns que tinham visto nascer o Clube, mas rapazes ainda e mais rapazes do que nunca, porque nem o rolar dos anos havia tirado deles o ardor da mocidade.
Bastaria, porém, conhecer as origens do Botafogo para compreendê-lo, admirá-lo, mesmo discordando dele. Realmente chega a comover um encontro assim com D'Artagnan no século XX. Não é possível, dirão uns, e eis o Botafogo. Ainda é um personagem de romance de capa-e-espada, com noções de honra dos velhos tempos, ofendendo-se por um nada. E se a gente quiser ir mais longe, deixar os Juizes da França e os Grandes de Espanha, pode chegar até as Cruzadas para descobrir Botafoguenses.
Noutros tempos, ele foi popular. Mas a popularidade, então, era o nome que se dava a um clube com centenas de sócios e alguns milhares de torcedores. O grande campo era o do Fluminense e lá cabiam, estourando, 5 mil pessoas. O Botafogo tem mais gente do que a gente pensa. Mas ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube. É preciso ser de corpo e alma. E é preciso, antes de ser Botafogo, ser rapaz, mesmo velho. Ser um Dom Quixote, um D'Artagnan, um Grande de Espanha, embora sem sangue nobre e sem riqueza, um Grande de Espanha mesmo decaído e por isso mais Grande de Espanha."
"O Botafogo é bem mais que um clube – é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus."(Armando Nogueira)
"O único clube rapaz é o Botafogo. Explica-se: foi o único clube que nasceu rapaz. Os outros, pelo menos, procuraram nascer homens. Já o Botafogo teve a preocupação de ser o oposto do Fluminense, que era o homem-feito. O Fluminense foi um clube que não nasceu assim , de um repente. Com o time formado, com tudo o que seria ele, demorou um ano. Surgiu depois de muito estudado, de muito pensado. O Botafogo, pelo contrário, só precisou de uma apresentação ao Fluminense para virar clube. É um detalhe que não deve ser esquecido por quem tentar compreender o Botafogo. Os rapazes que não pensavam em formar clube algum foram levados ao campo do Fluminense para serem do Fluminense. Diante do Fluminense, eles se sentiram, logo e logo, Botafogo.
Não se tratava só dos bigodes dos jogadores do Fluminense. O Fluminense também tinha bigodes. Havia, entre os rapazes do Colégio Abílio e o Fluminense, uma distância de idade. Essa idade não se contava apenas pelos anos do Fluminense, dois, ou dos jogadores do Fluminense, alguns ainda rapazes. Era a concepção da vida, vamos dizer. Os rapazes do Fluminense tratavam logo de se adaptar, de usar bigodes imaginários. Os rapazes do Botafogo queriam também ser homens, mas continuando rapazes. Daí se sentirem quase imberbes diante dos homens-feitos do Fluminense. A reação deles, forte, e renovada sempre pela rivalidade que foi a primeira do futebol carioca, tornou-os mais rapazes ainda, marcou-os eternamente rapazes.
Pouco importava que um Flávio Ramos, com dezessete anos e o primeiro Presidente do Botafogo, se sentisse rapaz demais para ser presidente do mesmo Botafogo. O homem-feito, procurado e encontrado, que foi ser Presidente do Botafogo, não mudou o que já era imutável. Ser do Botafogo era ser rapaz. A gente vê velhos Botafoguenses, curvados pelos anos, e até estranha um pouco. Serão ainda Botafoguenses? Mexam com o Botafogo e verão. Os velhos endireitam logo a espinha, estufam o peito, reacendem a chama do olhar e estão prontos. E não é difícil mexer com o Botafogo. Não há clube de mais sensibilidade à flor da pele, com mais orgulho de Grande de Espanha que o Botafogo. Eis porque ele está sempre disposto a topar paradas, a se meter em encrencas, a arriscar até a própria vida por uma coisinha.
Nada que o atinja e mesmo que não o atinja, mas que ele julgue que foi para atingi-lo, é coisinha para ele. Ele devia ter nascido em outra época. É a única flor retardatária de capa-e-espada que surgiu depois dos 1900. Trata-se mais de um gascão, de um D'Artagnan, sempre pronto a desembainhar a espada. Ouve muito mais a voz do coração do que a da cabeça. Qual era o clube capaz de largar uma Liga, sem outra Liga para ir, por causa da suspensão de um jogador? Aconteceu isso em 1911, justamente no ano em que o Fluminense preferiu perder um time a deixar de ser o que era, isto é, o Fluminense (NR: O autor se refere à cisão tricolor que resultou no início do futebol no Flamengo). O Botafogo fez o contrário, para continuar mais Botafogo do que nunca.
O que o Fluminense fez, só o Fluminense faria. Mas também só o Botafogo arriscaria tudo por um jogador. Não se tratava da falta que esse jogador poderia fazer ao time, embora ele se chamasse Abelardo De Lamare. E aí temos uma amostra do d'artagnanismo do Botafogo. Um por todos e todos por um. Abelardo De Lamare era um deles, era eles também, era o Botafogo. Eles não se separavam, não se distinguiam, fundindo-se no Botafogo. Assim o bofetão de Abelardo De Lamare em Gabriel de Carvalho (NR: Botafogo 1 x 1 América, em 25/06/1911, no antigo campo de Voluntários da Pátria) não foi o bofetão de um jogador noutro jogador. Foi o bofetão de um clube. Todos assumiram a mesma responsabilidade e se recusaram a aceitar a punição de um só. O Campeão de 1910 abandonou o campeonato e ficou um ano jogando na pedreira.
E aquele gesto, que seria de indisciplina, serviu para mostrar um dos mais belos traços do Botafogo. Saindo da Liga o Botafogo podia perder todos os jogadores. Era o time Campeão de 1910, justamente o que tinha realizado uma revolução no futebol carioca. Até 1910, os jogadores usavam bigodes. Mesmo os jogadores sem bigodes eram como se os tivessem. O Botafogo foi campeão com um time rapaz, com um time que tinha vindo do Botafogo mirim, o Carioca, viveiro do "Glorioso". E aí os outros clubes trataram de fazer o mesmo. O futebol que, para se dar ao respeito, tinha de nascer homem-feito, já podia dar-se ao luxo de ser jovem, de ser rapaz. E esta foi uma obra do Botafogo.
Qual era o clube que não quereria os jogadores do Botafogo? O Botafogo, porém, não perdeu um jogador. Todos ficaram juntos jogando na pedreira, que era um campo do Morro da Viúva. Era o que se chamava de um campeonato de Liga barbante. Os jornais não tomavam conhecimento dele. Assim, os jogos se realizavam, por assim dizer, anonimamente. E lá estavam os craques Campeões de 1910, o Glorioso em carne e osso, jogando com os clubes da pedreira como se esse fossem Fluminenses. Com o mesmo entusiasmo, com a dedicação, com o mesmo Botafoguismo, palavra que significa o mesmo que quixotismo. Eram uns Dom-Quixotes os jogadores do Botafogo.
Ou eram simplesmente rapazes. Continuavam a ser rapazes, levados pelos impulsos generosos da mocidade. Cometiam erros: no erro e no acerto tinham o mesmo élan. Podiam reconhecer o erro, mas não voltavam atrás. Era o tal orgulho de Grande de Espanha, idêntico na riqueza e na pobreza. Como saíra sozinho de uma Liga, mais tarde seria o único a ficar com uma Liga em nome de um amadorismo que não existia. Por isso muita gente não entendeu o Botafogo. É que se queria julgar o Botafogo pelos padrões normais. Como se ele fosse um clube igual aos outros. Então o Botafogo não via que estava arriscando a própria vida?
O que decidiria qualquer outro clube a mudar de rumo tornou ainda mais irredutível o Botafogo. Para ele, era uma questão de honra e ninguém o podia demover. Ficou com trezentos sócios, e cada sócio que saía unia mais o Botafogo. É que ficavam e ficariam os verdadeiros Botafogo, os Botafogos para a vida e para a morte. Aí mesmo é que não acabavam com o Botafogo, com aquela legião de rapazes de todas as idades, alguns que tinham visto nascer o Clube, mas rapazes ainda e mais rapazes do que nunca, porque nem o rolar dos anos havia tirado deles o ardor da mocidade.
Bastaria, porém, conhecer as origens do Botafogo para compreendê-lo, admirá-lo, mesmo discordando dele. Realmente chega a comover um encontro assim com D'Artagnan no século XX. Não é possível, dirão uns, e eis o Botafogo. Ainda é um personagem de romance de capa-e-espada, com noções de honra dos velhos tempos, ofendendo-se por um nada. E se a gente quiser ir mais longe, deixar os Juizes da França e os Grandes de Espanha, pode chegar até as Cruzadas para descobrir Botafoguenses.
Noutros tempos, ele foi popular. Mas a popularidade, então, era o nome que se dava a um clube com centenas de sócios e alguns milhares de torcedores. O grande campo era o do Fluminense e lá cabiam, estourando, 5 mil pessoas. O Botafogo tem mais gente do que a gente pensa. Mas ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube. É preciso ser de corpo e alma. E é preciso, antes de ser Botafogo, ser rapaz, mesmo velho. Ser um Dom Quixote, um D'Artagnan, um Grande de Espanha, embora sem sangue nobre e sem riqueza, um Grande de Espanha mesmo decaído e por isso mais Grande de Espanha."
sábado, 7 de agosto de 2010
Todo amor que houver nessa vida
Barão Vermelho
Composição: Cazuza / Frejat
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno
anti-monotonia...
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti-monotonia...
Composição: Cazuza / Frejat
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno
anti-monotonia...
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti-monotonia...
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